Dia das Crianças: o presente que a criança pediu e o que você quase comprou junto
O Dia das Crianças de 2026 cai numa segunda-feira, 12 de outubro, que também é feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, segundo a portaria do governo federal com o calendário de 2026. Se você chegou aqui pesquisando a data, está respondido. E não está sozinho: no Google Trends, "dia das crianças 2026" aparece entre as buscas em alta dos últimos 12 meses, com alta de 2.500% (consultei em 25 de setembro de 2026).
Este post trata de uma cena específica. A criança pediu uma coisa, com nome e modelo. Você abre o app para comprar exatamente aquilo e, dez minutos depois, o carrinho tem quatro itens. Na maioria das vezes, acho que o presente pedido nem é o problema. O que pesa é o resto.
Quem escolhe é o adulto
As pesquisas regionais deste ano mostram que a decisão final quase sempre fica com quem paga. Na pesquisa regional do Sebrae/PR e da Fecomércio PR, publicada em setembro de 2026, 77% dos entrevistados disseram que pretendem comprar presente. Em 74,4% dos casos o presente é escolhido pelo comprador, em 21,4% a escolha é feita junto com a criança e só em 4,3% ela decide sozinha.
A mesma pesquisa traz uma notícia boa: 79,5% pesquisam preço antes de comprar. E outra que ajuda a entender o risco: 49,6% concentram as compras na semana anterior à data. Pressa e pesquisa de preço convivem mal. Em outro recorte regional da pesquisa do Sebrae/PR, a internet aparece como o canal mais citado para a compra, com 55,8%.
São recortes regionais, então não dá para tratar esses números como retrato do Brasil. Eles servem para mostrar o padrão: a compra é do adulto, muitas vezes online e muitas vezes em cima da hora. É nesse cenário que o carrinho cresce.
Onde o carrinho cresce sem você perceber
O frete grátis que pede mais um item
O presente custa um pouco menos do que o valor mínimo do frete grátis. A loja avisa quanto falta. Você procura alguma coisa para completar e, quando vê, gastou mais do que o frete custaria. Esse mecanismo tem post próprio aqui, frete grátis: por que você gasta mais para economizar, e ele pesa de verdade: na pesquisa da CNDL e do SPC Brasil publicada em março de 2026, frete grátis foi citado como motivo de 45% das compras por impulso, atrás só de desconto (54%).
O acessório "que combina"
Esse é o clássico dos presentes eletrônicos. Imagine que a criança pediu um videogame e, perto do botão de comprar, a loja sugere um segundo controle, uma capinha e um cartão de memória. Cada item parece razoável sozinho, porque "vai precisar". Dá para sentir o efeito no nosso catálogo: coloque no carrinho o Nintendo Switch 2 com Mario Kart World, some o Pro Controller e compare o total com o que foi pedido.
Uma pergunta resolve boa parte dos casos: a criança pediu isso, ou fui eu que achei que ela ia querer? Se foi você, o acessório pode esperar o aniversário, o Natal ou o dia em que a falta dele aparecer de verdade.
Um presente para cada criança
Na primeira pesquisa do Sebrae/PR citada acima, 42,7% dos compradores pretendem presentear duas crianças e 36,8%, três ou mais. Com filhos, sobrinhos e afilhados na lista, a vontade de ser justo com todo mundo vira combo, e os "leve 3, pague 2" ganham força. Não tem nada de errado em comprar para vários. O que ajuda é decidir o valor por criança antes de abrir a loja, em vez de deixar a oferta decidir por você.
O item que é para você
Você está ali, com o cartão na mão e o app aberto, e aparece aquele fone em promoção. Não tenho pesquisa que meça quantos pais saem do Dia das Crianças com um presente para si mesmos, então fica como observação: se acontecer, repare que a data serviu de desculpa. A regra das 72 horas vale aqui também. O presente da criança tem prazo. O seu fone pode esperar até quinta.
Um teto antes do app
As pesquisas indicam um consumidor mais apertado. Em Porto Alegre, a pesquisa do Sindilojas POA noticiada pela GZH apontou intenção de gasto médio de R$ 390 com presentes, contra R$ 488 no ano passado. Na mesma pesquisa, o Pix à vista quase dobrou como forma de pagamento, de 17,5% para 33,3%, e passou o cartão de crédito parcelado (29,5%). O assessor do Sindilojas POA ouvido pela coluna atribui isso à busca por desconto à vista e ao medo de dívida longa.
Dá para aproveitar essa lógica em casa com dois passos simples. O primeiro é escrever o que cada criança pediu, com um valor máximo ao lado, antes de abrir qualquer loja. Uma lista de desejos funciona bem para isso. O segundo é fechar o pedido só com o que está na lista. O que aparecer no caminho vai para uma nota no celular, e você revê a nota depois do feriado. Se ainda fizer sentido, compra com calma.
Para o impulso que sobrar
Se a vontade de encher o carrinho continuar depois do presente comprado, o Comprei Nada existe para isso. É uma loja de mentira: você navega por produtos reais, monta o carrinho e fecha o pedido com dinheiro imaginário. Nada é cobrado e nada é entregue. Para finalizar, o site pede login com Google ou com um link no seu e-mail, e a conta guarda o histórico e o total economizado. Dá para passar pela categoria de games, colocar o console, o controle extra e o que mais quiser, e ver quanto esse carrinho teria custado sem pagar nada. O passo a passo está em como funciona.
Paulo Campos é o criador do Comprei Nada e escreve sobre psicologia de consumo e finanças comportamentais. Aqui no blog, a ideia é entender por que a gente compra antes de discutir o que comprar.
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